“Quem fotografa de tudo, não fotografa nada” – Entrevista na íntegra

Recentemente concedi uma entrevista para a minha colega e jornalista, Nathália Sartorato. O objetivo era traçar o meu perfil profissional para uma matéria que ela escreveria para a Agecin, o portal de Comunicação Social da FAG (faculdade onde fiz minha especialização).

A Nathália escreveu uma matéria muito legal, sobre meu trabalho, intitulado  “Quem fotografa de tudo, não fotografa nada”  – frase que costumo dizer, quando perguntam porque foquei na Fotografia Infantil.

OBS: É importante deixar claro que, quando faço essa afirmação quero dizer que a pessoa deve se focar em uma área específica da fotografia (casamentos, moda, publicidade são exemplos), para dar mais credibilidade ao trabalho. É interessante dar um norte para o cliente, sem ficar com respostas vagas, do tipo “ah, fotografo de tudo, o que pintar to clicando”. Isso soa como desespero muitas vezes e também como pouco profissional. Pura jogada de marketing se apresentar como “especialista” em algo. Achei bom esclarecer pois me pareceu que alguns se ofenderam com a afirmação.

Vocês podem conferir como ficou a matéria completa clicando aqui:

Como ela me autorizou a publicar a entrevista na íntegra, achei que de repente vocês poderiam se interessar também por mais informações sobre o meu trabalho e minha trajetória na fotografia. Desde o início como hobbysta, até a escolha da Fotografia Infantil como foco principal e mais tarde como professora de fotografia.

Confiram a entrevista:

  • · Quem é Huaíne Nunes? Dê uma breve contextualizada sobre a sua história.

R: Nascida em Florianópolis – SC, sou uma autêntica manézinha da Ilha, dessas que troca fácil qualquer programa para sair para comer um camarãozinho. Depois de muitos anos morando em Cascavel, aprendi a amar o Paraná e estou mais contente por aqui. Foi no Paraná que me formei em Moda, descobri minha verdadeira vocação – a fotografia – e fiz grandes e excelentes amigos.

Atualmente não penso em sair daqui, tenho a intenção de prosseguir com minha segunda profissão, a de professora universitária. O futuro só Deus sabe…

  • · Quando e como a moda surgiu na sua vida? E a fotografia?

R: Naquela fase rebelde da adolescência rsrs. Quando se tem 14 anos, é normal querer se rebelar e se você não é radical o suficiente, acaba o fazendo pelo modo de se vestir e se portar. Foi nessa fase em que me interessei por moda e design e optei por fazer o curso quando tinha 17 anos. Passada a rebeldia, a maneira de se vestir voltou ao normal, mas o gosto pelo Design permaneceu.

A fotografia veio num misto de genética, influência da família e gosto pela coisa mesmo! Uni o útil ao agradável e hoje uso os princípios estéticos aprendidos na faculdade de moda para compor minhas fotografias. A coisa foi ficando séria e o que era hobby virou profissão.

  • · Porque fotografar crianças? O que te levou a escolher essa temática?

R: Desde o início eu sabia que tinha de focar em alguma área específica da fotografia. “Quem fotografa de tudo, não fotografa nada” – pensava. Era a minha visão empreendedora falando mais alto.

Mesmo com isso em mente, fotografar crianças era algo natural, uma paixão que vinha desde a época da fotografia como hobby. Crianças são muito transparentes, sinceras e espontâneas. O que rende bons cliques sempre.

Nunca fui boa em dirigir modelos e até hoje tenho certa dificuldade em fotografar adultos. Isso porque nos meus ensaios, quem dita as regras é a criançada. Não existe “faça isso, faça aquilo”. Eu deito no chão, faço piada, brinco bastante e as fotos saem assim, do jeitinho que as crianças são.

No fim das contas, a Fotografia Infantil é um excelente mercado. Escolhido por acaso ou não, sinto que foi uma das melhores decisões que já tomei.


  • · Como as mídias sociais auxiliam o seu trabalho (inclua aí o seu site também)?

R: Auxiliam e muito, na divulgação tanto das minhas fotografias, como do meu perfil profissional e do meu jeito de ser e trabalhar. Hoje em dia, posso dizer que 80% dos meus trabalhos vêm da internet.

Como tudo na vida, começou como uma brincadeira. Abri uma conta no flickr, postei algumas fotos… Mais tarde, inspirada pelos fóruns onde debatia fotografia com outros fotógrafos amadores, abri um blog com dicas de truques. Nessa altura do campeonato, meu foco já era a fotografia infantil.

Eis que um dia um blog grande viu meu trabalho e pediu para que virasse colunista. A febre começou aí. De lá pra cá, minhas redes sociais explodiram. Meu twitter e facebook triplicaram de contatos. Tenho leitores e clientes de várias partes do Brasil e de alguns outros países.

Quanto mais profissional a coisa ficava, mais via a necessidade de criar um site próprio, bem direcionado para minha área de atuação. Foi aí que surgiu a marca “Huaíne Nunes – Fotografia Infantil” e os negócios só têm prosperado.

A internet é uma ferramenta poderosíssima que se bem aproveitada e explorada, pode trazer muitos frutos. O segredo é ter um conteúdo relevante, manter a humildade e ter sempre uma postura profissional.

  • · Conta pra mim um pouquinho sobre a sua participação em eventos e também sobre os cursos que você tem ministrado…

R: No início de 2011, fui pela primeira vez a um grande evento de fotografia em São Paulo, o Wedding Brasil – maior congresso de Fotografia de Casamento da América Latina. Fui convidada pelo Fotografia-DG, site português em que sou colunista, para fazer a cobertura minuto ao minuto (via twitter) e textos diários sobre o congresso para nossos leitores. Nem preciso dizer que foi uma experiência maravilhosa. Muito conteúdo interessante, muito networking, muita fotografia e vários novos amigos. É muito bom saber que no Brasil há eventos desse porte, em que os novos fotógrafos podem se conhecer, socializar e, acima de tudo, aprender muito com os profissionais trazidos.

Com relação aos cursos, é uma experiência sensacional. Estou lecionando um curso de Introdução à Fotografia em Santa Helena, oferecido pela Tecnodill Cursos. O conteúdo foi todo montado por mim, observando as dúvidas mais freqüentes que recebo dos meus leitores. Tem sido muito gratificante ensinar aos outros tudo o que aprendi nesses 3 anos como fotógrafa profissional. E aprendo muito sobre mim mesma com isso também.

  • · Qual episódio foi marcante, até agora, pra sua vida profissional?

R: A primeira aula de fotografia que lecionei. Duas coisas estavam sendo postas à prova: meu domínio sobre fotografia e meu jogo de cintura como professora. Era a primeira vez que eu unia minhas duas profissões e descobriria se realmente levo jeito para isso. Felizmente, a notícia foi boa: a aula foi um sucesso. Ensinar é muito gratificante e quando se faz com amor, falando sobre um assunto que faz parte da sua vida, é ainda mais inspirador. Foi incrível acompanhar o desenvolvimento dos alunos, ver que estavam entendendo e gostando do que eu dizia. Os olhares curiosos, a expressão de satisfação depois de uma dúvida respondida não tem preço. Sinto que nasci para isso.

  • · Como você analisa o mercado fotográfico hoje? Ainda é uma área pouco explorada ou já está concorridíssima?

R: O mercado fotográfico está em constante crescimento, o que é muito bom. Cada vez mais vejo jovens se interessando pela arte. Considero isso bom em todos os sentidos. Primeiro, o mercado fica mais abastecido de opções e de novos olhares criativos. É sempre bom fugir da mesmice. Alguns fotógrafos veteranos têm um olhar mais “quadrado”, enquanto os jovens gostam muito de ousar, de quebrar regras e quem ganha com isso são os clientes.

Não sou do tipo que vê novos fotógrafos como concorrentes. Para mim, somos todos colegas de profissão e há espaço para todos.

O segundo motivo, é que abrem cada vez mais portas para os cursos de fotografia. De alguma forma, é a demanda que estabelece quais cursos abrirão. Cursos superiores de fotografia ainda são poucos no Brasil, mas acredito que a tendência é aumentar e cada vez mais pessoas terem acesso à essa forma de arte, que além de rentável, também é um excelente hobby.

  • · Sobre a manipulação das imagens (Photoshop e etc)… Até que ponto você acha isso válido?

R: A fotografia é manipulada desde sempre. Desde a época da fotografia de filme se fazia recortes, adições ou remoções de objetos e se mexia na exposição da foto no momento da revelação. Portanto, acho radical quando afirmam que a manipulação digital está acabando com a fotografia. É claro que os recursos digitais são muito mais acessíveis, o que resulta em muito mais conteúdo irrelevante na internet à fora. Acredito que a manipulação seja válida até o ponto onde se melhora uma fotografia. Sou contra a manipulação destrutiva e entre o tratamento de qualidade e o meia boca há uma linha muito tênue. Submeto as minhas imagens à bem pouco tratamento. Apenas uma correção de tons e cores quando é necessária. Dou sorte em ter escolhido a fotografia infantil, pois crianças têm peles ótimas, o que faz com que eu passe bem menos horas na frente de um computador, do que se fotografasse casamentos rsrs.

4 thoughts on ““Quem fotografa de tudo, não fotografa nada” – Entrevista na íntegra

  1. Angela Amaral says:

    Oi Huiane Nunes, tudo bem?
    que maravilha ler sobre uma pessoa tão jovem e com tanto conhecimento, com certeza será uma excelente professora. Seu texto chamou me pelo Título, pois estou começando agora a trabalhar com fotos, e o velho dilema, FOCO!

    Já fiz um pouco de todos os seguimentos, até bichos de estimação, menos casamentos, “graças à Deus”, deve ser muita tensão…mas ainda estou com dúvidas,

    Sei que uma hora vem o “click”, e aí sim monto meu “flick”..rss.

    Grande abraço, vou te seguir.

    Angela Amaral
    Rio Claro- SP.

    Ahhh, sou natural do PR, e amo Cascavel, linda cidade!

  2. João Américo says:

    Olá, Huaíne!
    No geral, concordo com sua afirmativa, pois se não focar em algo, acaba não fazendo nada direito.
    De todo modo, por escolha, não tomei essa sua frase como verdadeira. Minha escolha foi pautada em buscar diferentes desafios na fotografia, uma vez que por essência ela é una. Na fotografia buscamos imprimir idéias por meio de conceitos e luz. Os conceitos variam um tanto, de acordo com a modalidade escolhida. Os clientes então, mais ainda (aí reside o fato de, mercadologicamente, em um primeiro momento, sua escolha ter sido acertada).
    Como eu queria um desafio árduo, optei por não focar, aceitar tudo, mas sempre estudando muito cada categoria da fotografia que me propus a fazer.
    Comecei isso ano passado. Comecei “oficialmente” ano passado. Hoje sei dizer o que gosto mais e o que pretendo focar para morder com gosto minha fatia do mercado. Mas a escola genérica me foi boa! Gosto do desafio de entender cada uma das peculiaridades de cada uma das ‘categorias’ da fotografia. Gosto mais ainda quando me vejo mesclando esses conhecimentos. Moda, por exemplo, enriquece bastante a fotografia de casamento. Assim como a Publicitária… Essas ‘multidisciplinaridades’ acabam por enriquecer todo o trabalho, todo o olhar fotográfico. Estou aprendendo fotojornalismo pelo viés do casamento, por exemplo, pois nunca fui pras ruas fazer fotojornalismo cru.

    No geral, concordo com você. É um conhecimento muito importante dos gringos que devemos dar atenção. Eles falam muito na especialidade. Em se especializar para ser melhor, ter diferenciais bem definidos, etc. Mas eu queria (e continuo nele) um desafio diferente e, por enquanto, ainda estou fazendo de tudo um pouco. Meu conselho é que não façam isso que estou fazendo. Sigam a regra que é melhor e tem muito menos chances de dar errado, de se frustarem, etc.

    Estou pecando empreendedoristicamente falando… sim… CERTEZA! Mas ainda está valendo muito a pena! =)

  3. Alceu Patricio says:

    Parabéns pela entrevista. Franca, objetiva, direta. Ser profissional, ter renda financeira é essencial, mas você tocou em algo que transforma todas as coisas secundárias: você coloca amor em tudo o que faz. Isto considero fundamental. Reitero, finalizando, meus parabéns.

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