Como ser segundo fotógrafo (ou fotógrafo backup/assistente).

Olá pessoal.

Há bastante tempo  não faço um post mais técnico e com dicas para vocês aqui no meu blog. A verdade é que tenho deixado os textos dessa natureza para serem publicados no Fotografia-DG e aqui tenho exposto mais o meu trabalho mesmo.

Sei que foram os posts técnicos e as diquinhas para iniciantes que atraíram muitos de vocês para cá, então não posso (nem quero) decepcioná-los.

O meu querido amigo Leandro Neves já havia escrito uma vez sobre O que é ser assistente de fotógrafo, aquele que ajuda o fotógrafo principal no estúdio, organiza o equipamento, trata imagens, entre outras atividades que vocês podem ler no post do Le.

Porém, o que me refiro aqui, é àquele que vai com o fotógrafo principal cobrir determinado evento, como um casamento, por exemplo. Você não é funcionário do cara, vai só fotografar junto com ele, auxiliando-o.

Fotografia de Martin Gommel

Muito bem, se algum fotógrafo se deu ao trabalho de te ligar, para convidá-lo a ser seu assistente, é porque ele já conhece e gosta do seu trabalho, então a minha primeira dica seria: Não copie o trabalho do fotógrafo “original”.

Provavelmente você foi contactado para fazer fotos com um olhar diferenciado, um trabalho bem original, que não segue a linha do fotógrafo principal. Mantenha a sua visão para a fotografia.

Posso estar errada (embora ninguém tenha reclamado ainda), mas quando trabalho como segundo fotógrafo, procuro fazer umas fotos mais ousadas. Sei que o fotógrafo principal está pegando momentos importantíssimos e talvez se ele resolvesse ousar, poderia perder cliques relevantes. Então eu faço esse trabalho, momentos que ficam legais de verem registrados no álbum depois, como a mãe da noiva chorando, um detalhezinho lá no fundo do salão, criança com dedo na nariz hehe. tudo isso eu considero importante.

Não atrapalhar! Parece óbvio, mas tem gente que teima em esquecer desse detalhe. Todo mundo sabe que você quer fotos boas, tanto quando qualquer um, mas vamos ter o mínimo de noção e tentar não entrar na frente do outro fotógrafo em momentos importantes. O pessoal do vídeo faz isso DI-RE-TO. Dá uma raiva!

Outra coisa não obrigatória, mas válida, é complementar o equipamento do cara. Eu, por exemplo, adoro trabalhar com tele-objetiva. Mas se o fotógrafo me diz que pretende fazer a maior parte do casamento com uma 70-200 2.8, é claro que não vou usar uma tele.  Mesmo preferindo usar e sabendo que estarei perdendo de fazer alguns lindos flagras e retratos, procuro fotografar num ângulo mais aberto, com grande angular, para complementar o trabalho dele.

Dar pitaco também é legal. É bom sempre conhecer o fotógrafo que te contatou primeiro, para saber se é do tipo “meu-trabalho-faço-eu” ou se está adepto a ouvir opiniões. Se ele for uma pessoa receptiva e você achar que tem algo a acrescentar, pode sim dar umas dicas para o trabalho dele. Um exemplo: “se quiser eu seguro o flash ali na lateral, para ajudar a iluminar, o que acha?”. Dicas sutis, rsrs.

Ouvir é mais importante que falar. Ainda que você tenha uma opinião contrária a do cara, se ele te disser “Eu vou fotografar aqui e quero que você tire fotos da decoração” Faça isso!

Antes de entregar as fotos, pergunte como ele prefere recebê-las. Há fotógrafos que querem que você trate tudo antes e já separe as que podem ser entregues para o cliente e há aqueles que preferem receber tudo “cru” e deixar que a equipe dele se encarregue disso. Também fica a seu critério, você pode conversar com o fotógrafo e ver como é melhor para ambos. Lembrando que seu preço pode variar caso você vá editar as fotos ou não.

Quanto cobrar também é um assunto um tanto controverso. Geralmente pagam para fotógrafos free lance na casa de R$80 a R$300. Essa é a razão pela qual não gosto muito da ideia de ser segundo fotógrafo. Ainda que você vá só entregar o trabalho cru e toda a parte de edição e montagem de álbuns fique por conta do fotógrafo principal, você fotografou todo o evento da mesma forma que ele. Acho pouco dinheiro pra muito trabalho.

No entanto, se você é iniciante e já não está no ritmo de conseguir muitos trabalhos sozinho, ser segundo fotógrafo também tem vantagens. Você pode usar a oportunidade para fazer novos contatos e conhecer potenciais clientes. Além disso, é um ótimo aprendizado só assistir os fotógrafos mais experientes trabalharem.

Basicamente, é isso! Espero que tenham gostado das dicas. Coloquem nos comentários suas experiências como segundo fotógrafo.

Forte abraço!

Huaíne Nunes.

25 thoughts on “Como ser segundo fotógrafo (ou fotógrafo backup/assistente).

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  2. Daniel says:

    Muito bacana seu post Huaíne. Fui convidado algumas vezes para trabalhar como freela, mas nunca aceitaram. Acredito que seja por causa do valor, não presto serviço por menos R$350. Não que eu seja fotógrafo celebridade, mas preciso valorizar meu investimento e também o conhecimento que adquirimos nos cursos de reciclagem, palestras e workshops.
    Adorei a parte educativa, de como se deve comportar o 2º fotógrafo. Muito sutil e gentil.
    Parabéns!!!
    P.s.: não tenho o costume de responder a nenhum post, mas esse achei bem legal.

    • Huaíne Nunes says:

      Pois é, tambem não acho que valha a pena para quem já investiu bastante em conhecimento, etc. No entanto, se a pessoa é iniciante, considere isso um investimento. E ainda ta recebendo uns trocadinhos para aprender…

      Poxa, podia adquirir o hábito de comentar, é tão bom esse feedback para quem escreve.

      Abração!

  3. Dudu Mazzei says:

    Olhem como são as coisas. Há dez anos, aqui na minha cidade, se cobrava p/ fotografar um casamento em média R$900,00. Um “fotógrafo” passou a oferecer o mesmo serviço por R$600,00.
    Começou a pegar um montão de serviços e os outros fotógrafos começaram a ficar sem trabalho nos finais de semana.
    Aí ele ligava p/ eles e pagava R$50,00 por casamento com todo o equipamento dele mesmo ( ele dizia que o cara só ia gastar a ponta do dedo) e R$25,00 p/ o auxiliar.
    Com o tempo a turma percebeu o esquema dele. Todos os casamentos ele ganhava o orçamento e ferrava a galera.
    A turma se uniu e combinou de cobrar R$500,00 pelo serviço de freela. Ele não topou pagar e foi procurando um a um, mas todos se recusaram. Ele se ferrou!!
    Não tinha gente p/ clicar os compromissos agendados.
    . Fechou seu estúdio e mudou de ramo. Se queimou na cidade!

  4. José Maria says:

    Muito bom mesmo, Huaíne!!!
    Dicas muito boas.
    Tenho pensado em trabalhar como segundo fotógrafo para adquirir experiência e seus conselhos só vieram a somar.
    Parabéns pelo seu trabalho!!!

  5. Marcos Souza says:

    Oi Huaíne, esse post é importante, pois eu mesmo trabalhei como segundo fotógrafo por quase um ano, e como vc disse se ganha pouco mas eu havia acabado de comprar minha Nikon, ou seja, adorei a idéia de praticar e ainda ganhar uns trocados.
    Com o tempo passei a fotografar sozinho para um cinegrafista aqui da cidade, onde pude aprender ainda mais, e tendo que tentar capturar as melhores cenas sozinho.
    Hoje ainda em fase de “acabamento”, lendo muito e seguindo blogs como o seu, estou conseguindo meus próprios trabalhos.

    E Lembre-se suas dicas são muito importantes para nós! Um grande abraço!

    Adoro o seu trabalho!!!

  6. Ana T says:

    Esse eu só vou comentar porque vc escreveu ali em cima que é muito importante o feedback dos leitores! rsrsrs Brincadeira…
    Olha, eu tive uma dificuldade ABSURDA com isso, aliás, ainda tenho. Porque mesmo hoje trabalharia de 2ª fotógrafa numa boa, acho que ainda tenho MUITO a aprender.
    Já mandei emails para vários fotógrafos daqui da minha cidade mas ninguém nem se digna a responder… :(
    Hoje tenho amigos que me chamam para fotografar com eles quando precisam de um 2º. Mas dividimos mesmo o trabalho, de igual pra igual e é muito bacana. :)
    Ah! E eu MORRO de medo de entrar na frente do vídeo! rsrs
    Beijo!

  7. Marcus Almeida says:

    Muito bom o post! Só não concordei com a parte do valor pago ao fotógrafo free-lance. O trabalho é o mesmo, mas a responsabilidade dele (no sentido de “garantir” as imagens, cumprir o contrato, etc.) é amplamente menor.

  8. Daniel Polly says:

    Oi Huaine,
    Conheci seu trabalho através dos artigos no Fotografia-DG.
    Esse seu post aqui é bastante interessante, mas não concordo com um ponto:
    “Você pode usar a oportunidade para fazer novos contatos e conhecer potenciais clientes.”
    Acho isso uma tremenda falta de respeito. O evento é do outro fotógrafo, o cliente é do outro fotógrafo e futuros clientes nascidos daquele trabalho também o são. O fotógrafo freelance fazer propaganda do próprio trabalho é em termos práticos o que chamo de “sacanagem”.
    E não digo isso apenas como fotógrafo que chama freela para assistência…sempre agi assim também quando fui freela.
    Outra coisa é conversar com o fotógrafo sobre a possibilidade. Por exemplo se um convidado da festa chega para o segundo fotógrafo e faz perguntas realmente direcionadas para seu estilo, seu posicionamento, equipamento ou seja lá o que for. Sempre falei que eu era o fotógrafo assistente, dava o cartão do fotógrafo e o meu, já estando devidamente autorizado.
    Podem achar que é mesquinharia ou falta de confiança no próprio trabalho, mas é o que penso e defendo. Acho que é questão de ética.
    Desculpe-me se pareço estar quase brigando…coisas da comunicação escrita…rs…e já sou sempre direto e sincero mesmo… :-)

  9. Marco Diogo says:

    Olá,Huaíne gostei das dicas explicitadas no seu blog.Sou fotógrafo iniciante
    com apenas um ano de expriência com uma nikon recém comprada.
    Não possuo uma grande malha de trabalhos e não domino as tecnicas de photo shop.
    Agradeço se puder me dar umas dicas para maximinizar o meu trabalho .
    um abraço!!!

  10. patricia santos says:

    Gostaria de contratar um freelance, para tirar fotos e fazer filmagens de casamento que sera para 25 pessoas no maximo, e sera realizado em são jose dos campos dia 15/06/2012 as 18:00, e saber qual o valor.
    Fico no aguardo!

    Att, Patricia santos.

  11. Eduardo says:

    Olá. Adorei seu artigo. Estou tendo dificuldades de achar quem procura 2º fotográfo ou assistente, será que pode dar alguma dica.
    Abraços,

    Eduardo

  12. Fredson says:

    Muito bom o post. mais analisando os fatos um 2º fotógrafo vai clicar tanto quanto eu, mais se der algum problema a responsabilidade é toda minha. Então não acho justo dividir um serviço o qual ele “não é responsável por ele”. Eu particullarmente pago o valor de merdado aqui em São Luis-MA e recebo as fotos cruas após o evento, deixo a cargo da minha equipe escolher, tratar e diagramar o album. Não sei se estou errado mais as fotos tiradas pelo meu 2º fotógrafo não autorizo ele publicar.
    No mais parabéns pelo seu trabalho.

    Fredson

  13. Alexandre says:

    estava na net a procura de algumas dicas pq fui chamado pra ser 2 Fotografo, e estou começando, já estou seguindo sua pagina no face.

    Parabéns pelas belas dicas!..

  14. Rod Oliveira says:

    Olá Pessoal!

    Em primeiro lugar esse artigo é excelente e muito importante para as pessoas que estão entrando no mundo da fotografia. Há 10 meses eu comecei a estudar fotografia e desde Março tenho conseguido bons resultados, estando cada vez mais próximo do meu objetivo de tornar meu hobby em uma carreira. \O/

    Quando um profissional te chama para ser assistente/ 2º fotógrafo já é um sinal de que vc está no caminho certo, então, aproveite a chance. Continue estudando e principalmente, não se prenda muito a questão do pagamento. Se vc está começando, o cara vai te pagar pouco. Se vc já possui experiência, vc pode negociar um valor que seja bom para vc e, se achar que não vale a pena, vc só precisa dizer não ué.

    Outra questão a se considerar é: o profissional que está te chamando. Se é um cara com anos de experiência, que possui um nome relevante no mercado, é muito mais importante para vc fazer parte da equipe do que ficar pensando em quanto cobrar. Aproveite enriquecer sua carreira, afinal, hoje temos uma enorme quantidade de cursos/workshops para todos os temas de fotografia e ser chamado por um cara bom, aprender na prática e ainda ganhar por isso é melhor do que investir R$800 em um workshop. (calma, isso não significa que vc não precisa mais de cursos!).

    Enfim, cada um sabe do seu potencial e é preciso ter bom senso nas escolhas para alcançar seu objetivo. Continue sempre investindo no seu conhecimento e não se prenda muito em equipamentos, aprimore seu olhar e fique atento ao seu networking!

    Ah, e sempre que ficar na dúvida: se joga!

    Abs e sucesso para todos nós!!!

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